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August 06 O Vento...Um dia...
EclipseA LUA E O SOL
Há muito eu ouvi uma história... Uma história que falava sobre um amor impossível. Sobre um encontro improvável. Era uma conjuntura formada por tantas variáveis, que o mais fácil e lógico seria acreditar que não iria dar certo.
Eram duas almas dependentes, Dois corpos que necessitavam um do outro. Um, com toda a sua magnitude e esplendor. Outro, com seus enigmas e inspirações.
Eram dois corpos celestes, Um representado pelo sol, O outro representado pela lua.
Era um amor perfeito, Porém inconcebível.
Durante toda manhã E entardecer do dia ele reinava, Esquentando e fazendo florescer A vida por todo o planeta. Deixava o clima propício Para a chegada de sua amada.
E, então, quando ele estava se pondo, ela surgia. Surgia por trás das colinas e montes, Com seus raios e seu imenso mistério. E durante toda à noite e madrugada, Ela era a única a ser observada.
Sua forma inspirava Desconhecidos e amantes. Sua suavidade era contemplada Por casais e desconhecidos.
A relação era tão intensa entre os dois, Que por trás daquele brilho Que ela emanava, Havia a ajuda dele. Existia o toque da sua imensidão, Que mesmo a anos-luz de distância, Evocava suas explosões e cataclismos, Para que ela, ao anoitecer, Pudesse brilhar Até o alvorecer.
Os raios de sol Cumpriam suas missões, Levando luz e energia Por todo o âmbito da via láctea.
Mas, assim como os humanos, Ele também necessitava do amor. E em sua jornada, Após milhares de anos, Quis, por apenas um breve momento, Sentir o toque da lua.
Era algo impossível de concretizar. Inacreditável de se imaginar. Um existia durante o dia E o outro durante a noite. Um circundava a terra E o outro era circundado por muitos. Não havia como existir tal probabilidade De apenas um toque sentir.
E, então, o astro rei se pôs a implorar, Com a ajuda dos deuses, Queria nesse encontro acreditar.
A lua era cercada por muitas estrelas e astros, Alguns tentaram conquistá-la... Outro,s apenas a cercavam. De tantas formas, Com tantas cores, Uns astros mais brilhantes, Outros mais distantes, Mas cada um deles Querendo sobre a lua triunfar.
Mas, assim como a mulher, A lua tinha uma alma-gêmea. Ela existia por uma única razão. Acreditava e queria apenas uma direção, Embora já tivesse se apaixonado Por outros astros, Tinha a certeza de que agora O Sol seria sua única devoção.
E assim, então, iniciava-se o ciclo A Lua e o Sol... O Sol e a Lua...
Então, os deuses Atenderam às súplicas dos dois. Acreditaram no poder do amor E, acima de tudo, Estavam apaixonados Por aquela relação. Viam, enfim, Que todos os seus esforços Em promover o amor Estavam surtindo efeito.
Viam o instinto, sentiam a intensidade, acreditavam na pura ternura e no compartilhamento das almas do Sol e da Lua.
Então, surgiu Um único momento Em que o Sol, enfim, Poderia encontrar a Lua. Um único instante, Em que os dois Poderiam se tocar.
Para eles, isso era tudo! O nada seria Ficar sem a sensação De concretizar o amor.
E, assim, aconteceu Na hora exata, No dia perfeito, Os dois se encontraram.
No céu, se via o Sol e a Lua. Cada vez mais próximos, Cada vez mais unidos, Até que por mágica, Os dois se tornaram apenas um. Agora o amor havia se concretizado. Havia surgido, dessa forma Devido ao amor, O Eclipse Solar.
Mas, como toda relação única, Como todo amor eterno, Os bons momentos parecem Raios velozes que fogem, Que teimam em desaparece,r Que persistem em não serem Tão duradouros como deveriam ser.
E, assim, com uma triste menção, O Eclipse Solar tem, então, o seu fim!
(Joffre Cardoso) |
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