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    August 06

    O Vento...

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    “O Vento do meu espírito

    Soprou sobre a vida.

    E tudo que era efêmero se desfez.

    E ficaste só Tu, que és eterno.

    (Cecília Meireles)

    Sempre...

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    Sempre existe no mundo

    Uma pessoa que espera outra...

    E quando essas pessoas se cruzam,

    E seus olhos se encontram,

    Todo o passado e todo o futuro

    Perdem qualquer importância,

    E só existe aquele momento.

    Um dia...

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    Um dia, eu perdoei meus inimigos,
    e fui forte
    No outro eu pedí perdão,
    e fui grande
    Um dia, mostrei minhas razões,
    e fui eloquente
    No outro ouví meu próximo,
    e fui humana
    Um dia, lutei pela minha causa,
    e fui bravo
    No outro, lutei pela causa alheia,
    e fui gente
    Um dia, batalhei pelo que queria,
    e fui perseverante...
    No outro, dividí o pão
    e fui rica
    Um dia, recebí aplausos,
    e fui admirada
    No outro, fiz o bem em silêncio,
    e os anjos me aplaudiram
    Um dia, usei a inteligência,
    e fui respeitada
    No outro, usei o coração,
    e fui amada!

    Eclipse

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    A LUA E O SOL

     

    Há muito eu ouvi uma história...

    Uma história que falava

    sobre um amor impossível.

    Sobre um encontro improvável.

    Era uma conjuntura

    formada por tantas variáveis,

    que o mais fácil e lógico

    seria acreditar que não iria dar certo.

     

    Eram duas almas dependentes,

    Dois corpos que necessitavam um do outro.

    Um, com toda a sua magnitude e esplendor.

    Outro, com seus enigmas e inspirações.

     

    Eram dois corpos celestes,

    Um representado pelo sol,

    O outro representado pela lua.

     

    Era um amor perfeito,

    Porém inconcebível.

     

    Durante toda manhã

    E entardecer do dia ele reinava,

    Esquentando e fazendo florescer

    A vida por todo o planeta.

    Deixava o clima propício

    Para a chegada de sua amada.

     

    E, então, quando ele estava se pondo, ela surgia.

    Surgia por trás das colinas e montes,

    Com seus raios e seu imenso mistério.

    E durante toda à noite e madrugada,

    Ela era a única a ser observada.

     

    Sua forma inspirava

    Desconhecidos e amantes.

    Sua suavidade era contemplada

    Por casais e desconhecidos.

     

    A relação era tão intensa entre os dois,

    Que por trás daquele brilho

    Que ela emanava,

    Havia a ajuda dele.

    Existia o toque da sua imensidão,

    Que mesmo a anos-luz de distância,

    Evocava suas explosões e cataclismos,

    Para que ela, ao anoitecer,

    Pudesse brilhar

    Até o alvorecer.

     

    Os raios de sol

    Cumpriam suas missões,

    Levando luz e energia

    Por todo o âmbito da via láctea.

     

    Mas, assim como os humanos,

    Ele também necessitava do amor.

    E em sua jornada,

    Após milhares de anos,

    Quis, por apenas um breve momento,

    Sentir o toque da lua.

     

    Era algo impossível de concretizar.

    Inacreditável de se imaginar.

    Um existia durante o dia

    E o outro durante a noite.

    Um circundava a terra

    E o outro era circundado por muitos.

    Não havia como existir tal probabilidade

    De apenas um toque sentir.

     

    E,  então, o astro rei se pôs a implorar,

    Com a ajuda dos deuses,

    Queria nesse encontro acreditar.

     

    A lua era cercada por muitas estrelas e astros,

    Alguns tentaram conquistá-la...

    Outro,s apenas a cercavam.

    De tantas formas,

    Com tantas cores,

    Uns astros mais brilhantes,

    Outros mais distantes,

    Mas cada um deles

    Querendo sobre a lua triunfar.

     

    Mas, assim como a mulher,

    A lua tinha uma alma-gêmea.

    Ela existia por uma única razão.

    Acreditava e queria apenas uma direção,

    Embora já tivesse se apaixonado

    Por outros astros,

    Tinha a certeza de que agora

    O Sol seria sua única devoção.

     

    E assim, então, iniciava-se o ciclo

    A Lua e o Sol...

    O Sol e a Lua...

     

    Então, os deuses

    Atenderam às súplicas dos dois.

    Acreditaram no poder do amor

    E, acima de tudo,

    Estavam apaixonados

    Por aquela relação.

    Viam, enfim,

    Que todos os seus esforços

    Em promover o amor

    Estavam surtindo efeito.

     

    Viam o instinto,

    sentiam a intensidade,

    acreditavam na pura ternura

    e no compartilhamento

    das almas do Sol e da Lua.

     

    Então, surgiu

    Um único momento

    Em que o Sol, enfim,

    Poderia encontrar a Lua.

    Um único instante,

    Em que os dois

    Poderiam se tocar.

     

    Para eles, isso era tudo!

    O nada seria

    Ficar sem a sensação

    De concretizar o amor.

     

    E,  assim,  aconteceu

    Na hora exata,

    No dia perfeito,

    Os dois se encontraram.

     

    No céu, se via o Sol e a Lua.

    Cada vez mais próximos,

    Cada vez mais unidos,

    Até que por mágica,

    Os dois se tornaram apenas um.

    Agora o amor havia se concretizado.

    Havia surgido,  dessa forma

    Devido ao amor,

    O Eclipse Solar.

     

    Mas,  como toda relação única,

    Como todo amor eterno,

    Os bons momentos parecem

    Raios velozes que fogem,

    Que teimam em desaparece,r

    Que persistem em não serem

    Tão duradouros como deveriam ser.

     

    E, assim,  com uma triste menção,

    O Eclipse Solar  tem, então, o seu fim!

     

    (Joffre Cardoso)